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Brasil terá dificuldade de superar polarização politica em meio a pandemia

Em matéria do jornal Correio Braziliense deste domingo (5), o analista político (de raízes sobralenses) Melillo Dinis destaca o aspecto político-econômico da crise no Brasil. Segundo ele, havia a tentativa do governo Bolsonaro de instituir uma política extremanente liberal, com redução de direitos sociais e “Estado ínfimo”, que “dava voos de galinha” e já sofria solavancos internos e externos. Isso acabou desmontado pela chegada do vírus.

O analista fala sobre a possibilidade de uma radicalização do liberalismo econômico aprofundar um “apartheid social”, com 10% da população vivendo dentro dos marcos sociais e políticos existentes, e os 90% mais pobres, incluindo a classe média, vivendo na exclusão e na miséria.

“O cenário mais provável é de um país ainda mais conflagrado, todo mundo se acusando. Bolsonaro acusando governadores, governadores dizendo que o presidente demorou a agir. Uma economia pífia, com dívida pública multiplicada por muitos fatores, e que vai transformar o país em um estado mais desestruturado, sem rumo que não seja o conflito e a desagregação social”, avaliou. O segundo cenário é de a crise possibilitar a reconstrução de um pacto social com fortalecimento das instituições democráticas.

Nesse mundo pós-coronavírus, não haveria espaço para populistas de qualquer espectro político. “Vamos precisar de um pacto social pela defesa do Brasil democrático com sindicatos, organizações da sociedade civil, partidos políticos, poderes, imprensa. E com uma economia mais solidária e menos consumista”, pondera o especialista. “Na minha visão, a crise é profunda. O pós será gravíssimo se construirmos pela gravidade, ou um país mais justo, se encontrarmos o caminho certo. Eu torço pelo segundo cenário, mas acredito que haja mais probabilidade do primeiro”, lastimou Melillo.

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