A Caixa de Pandora da política do Ceará foi aberta em Sobral
A semana política ganhou contornos épicos após o ex-prefeito de Sobral, Ivo Gomes, conceder entrevistas em tom duro e sem filtros. Ao declarar apoio ao irmão Ciro Gomes, atacar Camilo Santana, criticar o secretário Chagas Vieira (a quem chamou de “Rasputin”), e negar apoio a Elmano de Freitas, Ivo foi além do posicionamento político: abriu, deliberadamente, a Caixa de Pandora da política cearense.
Na mitologia grega, Pandora recebeu dos deuses uma caixa (ou jarro) que jamais deveria ser aberta. Ao desobedecer, libertou todos os males do mundo: ódio, discórdia, intrigas e desconfiança, restando apenas a esperança. A analogia com o atual momento político é inevitável.
As declarações de Ivo funcionaram como a retirada da tampa desse artefato. Feridas vieram à tona, ressentimentos foram expostos e alianças antes sólidas passaram a ser questionadas. A crítica a Camilo Santana, acusado de tentar a “destruição política” de Cid Gomes, indica possíveis novos rompimentos no grupo que comanda o Estado.
Ao comparar Chagas a Rasputin (o místico russo que atuava nos bastidores da corte dos Romanov, manipulando decisões e influenciando o poder), Ivo reforça a narrativa de que o Ceará vive hoje um governo conduzido por forças ocultas, mais palacianas do que populares. Na mitologia política, não há deuses benevolentes, mas personagens que operam nas sombras, alimentando intrigas.
Ivo também relembrou o episódio da sucessão municipal, quando, segundo ele, foi “apunhalado” por Elmano ao se alinhar ao grupo adversário após a derrota de Izolda Cela, para Oscar Rodrigues. Aqui, a mitologia encontra paralelo nas tragédias de traição entre aliados, como Brutus e César, onde o golpe mais doloroso não vem do inimigo, mas de quem caminhava ao lado.
Assim como no mito, Ivo reposiciona o debate em um patamar simbólico e emocional. O que virá depois: reconciliação, ruptura definitiva ou uma nova configuração de poder, dependerá de como os demais “deuses do Olimpo político” irão reagir aos males agora expostos. O certo é que, após essa semana, nada permanece exatamente como antes.
Fonte: Folha do Sertão



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