Artigo alerta sobre os riscos de aprender a dirigir com as novas regras impostas pelo Governo Federal
O Brasil assiste, com crescente preocupação, ao aumento de sinistros de trânsito envolvendo pessoas que estavam “aprendendo a dirigir” fora de qualquer parâmetro legal ou de segurança. Um dos episódios mais graves foi noticiado recentemente pela imprensa nacional: um adolescente de apenas 15 anos atropelou e matou uma criança de 2 anos enquanto aprendia a dirigir. Uma tragédia que poderia — e deveria — ter sido evitada.
O caso escancara um problema que vem se agravando nos últimos meses: a banalização do processo de formação de condutores no país. Ensinar alguém a dirigir não é um ato informal, muito menos uma experiência doméstica ou improvisada. Trata-se de uma atividade de alto risco, que envolve vidas, exige técnica, responsabilidade e acompanhamento profissional.
Ao longo de 2025, o Ministério dos Transportes anunciou possíveis mudanças no processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). As declarações públicas, muitas vezes vagas, geraram uma onda de dúvidas e incertezas — não apenas entre autoridades e profissionais da área, mas também entre a população em geral.
Em 9 de dezembro de 2025, foi publicada uma nova resolução que prometia, em discurso, uma “CNH gratuita” em todo o Brasil. Na prática, isso não se concretizou. As taxas cobradas pelos DETRANs, pelas clínicas credenciadas e a criação de um novo exame obrigatório — o toxicológico — fizeram com que o custo final para o cidadão fosse, em muitos casos, maior do que antes.
O que efetivamente ocorreu foi uma drástica redução da carga horária prática obrigatória: de 20 aulas para apenas 2 aulas, uma diminuição de cerca de 80%. Embora a obrigatoriedade de realização do processo em autoescola tenha sido mantida, surgiu paralelamente a promessa da atuação de instrutores autônomos. Segundo o novo modelo, bastaria um curso online de poucos minutos para que qualquer pessoa fosse considerada “apta” a ensinar alguém a dirigir.



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