Manifesto denuncia colapso na rede de saúde mental de Sobral
Uma denúncia pública feita pela página Psiquiatria Sobral, no Instagram, ligada à Residência em Psiquiatria de Sobral e vinculada à Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia, acendeu um alerta sobre a situação da rede de saúde mental do município.
Por meio do manifesto “A saúde mental em Sobral vive um momento crítico”, o grupo relata uma grave deterioração das condições de atendimento nos serviços de atenção psicossocial, resultado da redução progressiva das equipes, da precarização da estrutura física e da falta de condições básicas de funcionamento.

Segundo o documento, enquanto a demanda da população cresce, os serviços enfrentam escassez de profissionais, equipes incompletas e sobrecarga de trabalho, o que tem provocado impactos diretos no cuidado oferecido aos pacientes. Entre os problemas apontados estão a falta recorrente de medicamentos psiquiátricos essenciais, como lítio, haldol, risperidona, venlafaxina, paroxetina e fenobarbital.
O manifesto também denuncia a impossibilidade de acompanhamento adequado dos usuários, destacando que o CAPS Geral conta atualmente com apenas um profissional da psicologia, além da ausência de equipes multiprofissionais mínimas exigidas para o funcionamento da enfermaria psiquiátrica, conforme a Portaria GM/MS nº 251/2002.
Outro ponto crítico diz respeito à estrutura física dos serviços, considerada inadequada. Há relatos de prontuários físicos em péssimas condições, falta de salas suficientes para atendimento e ambientes que comprometem a privacidade dos pacientes, com consultórios cujas janelas permitem que conversas sejam ouvidas do lado externo.

No texto, os profissionais reforçam que saúde mental não é luxo, mas um direito essencial da população. O manifesto afirma que, quando a estrutura não acompanha a demanda, toda a rede entra em colapso, penalizando usuários e trabalhadores.
“A população de Sobral merece uma rede de saúde mental estruturada, com equipes completas e condições dignas de trabalho e atendimento”, conclui o documento, que também destaca a necessidade de cuidar de quem cuida, como parte da responsabilidade do sistema público de saúde.



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