Explosão de CNPJs acende debate sobre emprego e precarização no Brasil
A Receita Federal do Brasil informou que 5,1 milhões de novos registros no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) foram emitidos no país em 2025. À primeira vista, o número pode sugerir dinamismo econômico e avanço do empreendedorismo. Mas parte dos economistas alerta para um cenário mais complexo por trás da estatística.
Segundo essa leitura, o crescimento acelerado de CNPJs não representa necessariamente expansão sólida da economia, mas pode refletir a fragilidade do mercado de trabalho formal. Muitos brasileiros têm recorrido à formalização como microempreendedores para garantir renda diante do desemprego, da informalidade ou da redução de direitos trabalhistas.
O fenômeno inclui trabalhadores que atuam como motoristas por aplicativo, entregadores, prestadores de serviços ou produtores autônomos, que encontram no CNPJ uma alternativa para permanecer economicamente ativos. Para críticos, trata-se de um movimento impulsionado pela corrosão salarial, pela instabilidade nas relações de trabalho e pela insegurança previdenciária.
O debate ganha contornos políticos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e demais lideranças nacionais e estaduais são pressionados a se posicionar sobre o tema, especialmente diante do ciclo eleitoral que se aproxima.
Encerrado o Carnaval, especialistas defendem que a pauta do emprego, da formalização e da qualidade das relações de trabalho entre definitivamente no centro das discussões de 2026 — sem confetes, mas com propostas concretas.



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