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Em Sobral, Moro eleva tom contra Ciro e desvia foco da pré-candidatura de Eduardo Girão.

Apelidado de marreco, o senador Sérgio Moro resolveu cantar de galo no terreiro de Ciro Gomes. O ex-juiz da Lava-Jato foi convidado para o lançamento da pré-candidatura ao governo de Eduardo Girão, em Sobral. O teor do convite deve ter sido algo assim: Vamos ali falar mal do Ciro na terra dele?

Eduardo é político de grandes predicados, chegando incólume ao final da travessia de seu mandato senatorial. Homem de escrúpulos, sem registro de malfeitos ou negociações que o tornassem menos digno de ser o representante cearense na Câmara Alta. Esteve no front da resistência democrática, cobrando seriedade, com pedidos de impeachment e de aberturas de CPI. Portanto, é mais que legítima sua postulação a governar os cearenses.

O instituto da eleição em dois turnos se presta a isto: no primeiro, as candidaturas programáticas; no segundo, as pragmáticas.

No evento de Sobral, no entanto, não foi a defesa de sua plataforma eleitoral que preponderou. Foi fazer um giro, fez um jirau. O homem da Paz e Bem virou uma Jiraya do sertão. Por si ou por ventríloquos, as palavras foram assacadas mais contra Ciro do que aos governistas.

Moro descontextualizou uma infeliz frase do tucano, como a desafiá-lo: “Ele disse que nos recebia a bala, pois estou aqui, sem medo de valentão”. E acrescentou: “Ciro é um bufão”. A frase é de 2017, e só agora Moro resolveu responder? É muito delay. E não foi por falta de ocasião. Ciro já o desafiara ao debate, no período em que os dois eram presidenciáveis. Moro declinou. Se temos o bufão, também o fujão. Acho que Moro sabia que Ciro Gomes não estava em Sobral.

Por Luciano Clever, no Jornal O Otimista

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