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Erivaldo Carvalho analisa: “E se Lula não for candidato?”

O presidente Lula (PT) costuma dizer que acertou com o ‘cara lá em cima’ para viver 120 anos e que está com tesão de quando tinha 30. Vez por outra, aparece demonstrando boa forma – para quem chegou aos 80.

Fanfarronice de lado, o mandatário voltou a assustar o entorno. Nos palcos Brasil afora, muitos aliados cruzam os dedos quando o petista começa a improvisar na fala.

São muitas gafes. Algumas arrancam risos constrangedores do staff. Outras, vistas por adversários como atos falhos, viram cortes e vão direto para as redes sociais.

Lula é unanimidade no PT e nos arredores mais próximos. Até porque não há um plano B – ainda. Admiti-lo seria a pá de cal em um presidente e governo cansados e rejeitados.

Pesquisa a pesquisa, Lula vê aumentar a distância entre quem o aprova de quem o reprova. Nunca na história desse País foram tão fortes as dúvidas quanto à continuidade do atual ciclo.

Lógica invertida
O próprio Lula sabe disso. Tanto que é peculiar o esforço do Palácio do Planalto em construir alianças e palanques estaduais fortes. Antes, aliados dependiam de Lula. A lógica inverteu-se.

Na média geral, avalia-se que a surpreendente consolidação do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) tenha relação com a fadiga do atual governo, para além da direita bolsonarista.

Não estamos falando de uma eventual terceira via. Com Lula e Flávio, a grande tendência será a repetição do não-não entre eles, ganhando o menos rejeitado pelo eleitorado.

Estamos falando da possibilidade de Lula, mesmo fixado em tentar conquistar mais um mandato presidencial, seja dobrado pelo risco de perder a saideira.

Último capítulo
No resultado da conta entre méritos e deméritos, não resta dúvidas de que Lula marcou a história política, econômica e social do Brasil.

A questão é o último capítulo da biografia do atual presidente da República. Nada mais anticlímax do que sair de cena derrotado pelo herdeiro genético de Jair Bolsonaro (PL).

Às vezes, até o ego, a que Lula é muito afeito, tem de se redimir aos fatos. Estamos a quase quatro meses do prazo final das convenções partidárias – vai até 5 de agosto.

Até lá, será esse o grande dilema do PT, com repercussões diretas e indiretas na corrida presidencial e nos Estados – inclusive, no Ceará.

Aqui temos dois líderes políticos de projeção nacional: os ex-ministros de Lula e ex-governadores Camilo Santana (PT) e Ciro Gomes (PSDB).

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