Erivaldo Carvalho analisa ‘A encruzilhada de Ciro Gomes’
O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), por mais que tenha gerado apreensão entre aliados no Ceará, acertou ao não dizer ‘nem sim nem não’ ao convite de Aécio Neves para disputar o Planalto em 2026.
Experiente, o tucano preferiu jogar a decisão para frente. Nos bastidores, uma das leituras é de que isso poderá reforçar a candidatura dele ao governo do Estado. Como? Segue a explicação.
Ciro já estaria decidido a disputar o Abolição. A fala do presidente nacional do PSDB entraria apenas como uma mola a mais para o lançamento. Uma peça de marketing, por assim dizer. Continua depois da publicidade
Na leitura de interlocutores da Coluna, o ex-governador poderá, em tempo hábil, voltar a agradecer o chamado do partido, mas que, ‘pelo amor ao Ceará’ vai seguir no projeto local.
Aécio e Ciro são dois dos mais rodados políticos do Brasil. Nesse sentido, há quem especule – com o que a Coluna discorda -, que as falas de ambos nesta terça-feira, 14, foram alinhadas.
Para estes observadores, não é todo dia que um presidente de partido surpreende um filiado com um convite para disputar a presidência da República, em evento público, gravado e transmitido ao vivo.
A difícil terceira via
Um cirista disse à Coluna que o prognóstico nacional é a permanência da polarização entre centro-esquerda e centro-direita, sem espaço para o surgimento de uma terceira via competitiva.
Mesmo se o presidente Lula (PT) não for candidato à reeleição, diz a fonte, esquerdistas seguirão com o substituto do atual mandatário e parte dos indecisos migrarão para Flávio Bolsonaro (PL).
Ou seja, a ideia lançada por Aécio de alternativa aos polos seria incapaz de romper com a lógica política verificada nas últimas disputas presidenciais.
Ciro viu isso muito de perto em pelo menos duas das eleições – 2018 e 2022 -, das quatro de que participou.
O mais estratégico, até aqui, seria retomar o plano nacional a partir de um possível governo estadual bem avaliado, a exemplo do que fez Ronaldo Caiado (PSD) em Goiás.
E o que quer o presidente nacional do PSDB, ao lançar Ciro e, hipoteticamente, tê-lo candidato à sucessão de Lula? Acertou quem pensou na eleição de uma forte bancada de deputados federais.
Impactos locais
Caso Ciro fosse – ou vá -, para o plano nacional, seriam devastadores os efeitos sobre a oposição no Ceará.
Com Ciro, é imensa a expectativa no partido, tanto no êxito da chapa majoritária quanto proporcional. Sem Ciro, a oposição ficaria completamente desgarrada. Continua depois da publicidade
Isso vale, inclusive, para o aguardado apoio do PL do deputado federal André Fernandes a Ciro. Outro plano espanca para longe a possibilidade.
Mas estamos em abril. O governador e pré-candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT), diz que decisão sobre chapa governista ocorrerá entre junho e julho.
Nesse termos, não haveria motivo objetivo para Ciro antecipar o anúncio da decisão – embora, até lá, pesquisas eleitorais possam resgatar o nome do ex-ministro para a lista de presidenciáveis.



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