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A estratégia de Camilo contra Ciro

O senador Camilo Santana (PT) estabeleceu a relação entre Ciro Gomes (PSDB) e lideranças do bolsonarismo no Ceará como principal linha de ataque ao tucano, associando-o ao ex-presidente e a seu filho, o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL). Era previsível que o tom do petista fosse esse, mas talvez não que antecipasse seu uso, explorando a cartada mais importante do governismo a cinco meses das eleições. O risco para o ex-chefe do MEC é o de desgastar esse discurso antes do tempo, chegando às portas da campanha com a necessidade de repeti-lo para um eleitorado que pode ter-se cansado de ouvir o mantra.

Afinal, não se sabe ainda se a tentativa de vincular Ciro a Bolsonaro vai produzir efeitos eleitorais já agora – imagine-se manter a eficácia da crítica até a disputa de outubro. É possível que a tática dê certo, porém, e o tucano se fragilize aos poucos – as próximas rodadas de pesquisa vão mostrar o potencial de estrago dessa arma. De todo modo, sem esperar nada que assegure o acerto da sua estratégia, o que o ex-governador vem fazendo é tomar Ciro e o bolsonarismo como equivalentes, correndo o risco inclusive de melindrar os Ferreira Gomes que estão do lado do Abolição.

Sobre isso, é ilustrativa a reação de Lia Gomes (PSB) ao ser questionada se o irmão mais velho seria “traidor”. Entre risos constrangidos, Lia devolveu: “Acho que o Ciro não traiu ninguém”. É o que Ivo Gomes, em tom mais incisivo, também vem repetindo, além do próprio Cid Gomes (PSB).

A RESPOSTA DE CIRO

Por ora, a resposta de Ciro tem sido o silêncio. É a sua contra estratégia às investidas de Camilo para conduzi-lo a uma arena de disputa eleitoral cujos termos foram definidos pelo petista: nacional e centrada na polarização. Ao tucano, contudo, não interessa o pleito federalizado, tampouco uma corrida na qual a adesão ou não a Bolsonaro e Lula balize o campo da contenda pelo voto dos cearenses. Daí que sua pré-campanha tenha adotado, já de partida, a cartilha dos temas locais, especialmente segurança e economia.

A recusa de Ciro a rebater Camilo constitui parte da tensão que vai se arrastar em todo esse período. De um lado, o tucano contornando a escancarada armadilha que é replicar no âmbito estadual a lógica da eleição presidencial; de outro, o ex-ministro da Educação conferindo mais peso às ações do MEC e de Lula do que às “entregas” da gestão de Elmano.

Por Henrique Araújo, n’O Povo

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