Brasil cria 25 novos milionários por dia, mas segue entre os países mais desiguais do planeta
O Brasil adicionou 9.215 novos milionários em dólar em apenas um ano e consolidou sua liderança na América Latina em número de grandes fortunas. O avanço, porém, expõe um paradoxo: enquanto o patrimônio cresce em ritmo acelerado, o país continua entre os quatro mais desiguais do mundo em concentração de riqueza.
O Global Wealth Report 2026, do UBS, mostra que o Brasil encerrou 2025 com:
- 386 mil milionários em dólar (patrimônio superior a US$ 1 milhão);
- 9.215 novos milionários em apenas um ano — média de 25 por dia;
- 19ª maior população de milionários do planeta;
- Maior número de milionários da América Latina, superando o México (333 mil).
O crescimento acompanha um ciclo global de valorização dos ativos financeiros e imobiliários.
O mesmo relatório revela um contraste marcante. Apesar da expansão da riqueza, o Brasil permanece como o 4º país mais desigual do mundo em distribuição patrimonial entre os 56 mercados analisados. Apenas os Emirados Árabes Unidos, a Rússia e a África do Sul apresentam concentração de riqueza superior à brasileira. Em outras palavras, a riqueza cresce, mas continua concentrada em uma parcela reduzida da população.
O que impulsionou as fortunas
Segundo o UBS, diversos fatores contribuíram para o avanço das grandes riquezas em 2025:
- Valorização dos mercados financeiros;
- Recuperação dos ativos imobiliários;
- Crescimento dos ativos não financeiros;
- Dólar mais fraco, aumentando o valor dos patrimônios medidos na moeda americana;
- Expansão dos investimentos em tecnologia e inovação, especialmente nos Estados Unidos.
O resultado foi uma aceleração expressiva da riqueza global.
A elite da riqueza brasileira
Além dos 386 mil milionários, o estudo mostra que o Brasil possui aproximadamente 43 mil pessoas com patrimônio entre US$ 5 milhões e US$ 100 milhões. Esse grupo concentra parcela significativa do patrimônio privado nacional.
O dado mais importante não é o número de milionários
Para Marcello Chilov, chefe de Global Wealth Management do UBS para a América Latina, o indicador mais relevante não é quantos milionários existem. A verdadeira medida do desenvolvimento econômico é a mobilidade patrimonial.
“O número que precisa ser olhado é quantas pessoas estão saindo de uma faixa de patrimônio mais baixa para uma faixa mais alta.”
Segundo o executivo, esse movimento depende principalmente de empreendedorismo, inovação, desenvolvimento tecnológico e crescimento econômico sustentado.
A pirâmide da riqueza está mudando
Outro ponto destacado pelo relatório é a transformação da estrutura patrimonial mundial.
Hoje:
- Apenas 1,5% dos adultos possuem patrimônio superior a US$ 1 milhão;
- A parcela da população com patrimônio inferior a US$ 10 mil continua diminuindo;
- As classes intermediárias de riqueza vêm crescendo continuamente.
Mantido esse ritmo, o UBS projeta que a tradicional pirâmide global da riqueza poderá perder seu formato antes do fim da década, com expansão das faixas médias de patrimônio.
O potencial brasileiro
Mesmo convivendo com juros elevados, inflação persistente e incertezas fiscais, o UBS avalia que o Brasil continua apresentando elevada capacidade de geração de riqueza. Entre os principais ativos estruturais apontados pelo banco estão:
- Agronegócio altamente competitivo;
- Liderança em energia;
- Reservas de minerais estratégicos para a transição energética;
- Necessidade de investimentos em infraestrutura;
- Mercado consumidor de grande escala.
Na avaliação da instituição, esses fatores podem ampliar o interesse de investidores internacionais nos próximos anos.
Fonte: Focus Poder



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