ARTIGO: ‘De ontem, na doce Palma’.
Adorava, na infância, assistir a partidas de futebol de poeira no campo da minha Terra. Os jogadores eram franzinos, jogavam descalços e não havia técnico, juiz, massagista nem cartola.
A cidade tinha somente dois times: o Azul e o Encarnado. As torcidas tinham rivalidade no futebol, na política e na vida privada. Na “festa de setembro” havia disputa na arrecadação dos leilões e doações para a Paróquia.
A competição no futebol era muito interessante, porque havia embates todos os domingos. Não havia campeonato; todos os jogos eram decisivos. Às três horas da tarde as equipes se dirigiam ao campo seguidas pelos torcedores em sonora gritaria.
As bodegas eram visitadas por jogadores e torcedores que “molhavam a palavra” para suportarem a ansiedade da partida. Os torcedores mais fanáticos levavam uma ‘garrafa da “preferencia nacional” para premiar o artilheiro durante a comemoração do gol.

Depois do “cara ou coroa” começava a correria atrás da bola, sem nenhuma preocupação com técnica ou posição no campo: todos os jogadores, exceto os goleiros, perseguiam simultaneamente a pelota.
O número de gols é que determinava o fim da partida. Havia partidas de cinco ou mais gols. O time que atingisse o número de gols combinado, seria o vencedor. Havia partidas emocionantes que terminavam em 10×8.
O delegado de polícia comparecia com um soldado, para garantir a ordem dentro e fora de campo. A presença de mulheres e crianças era desaconselhada; por causa do vocabulário utilizado por todos os presentes ao campo.
Depois da partida, os vencedores voltavam em desfile pelas ruas da cidade com banda tocando o hino do vencedor.
PS: Eu era torcedor do azul o que tinha o mais belo hino.
Por Dr. Vicente Cristino
Nota do Blog: Antes de receber o nome de Coreaú, a cidade era conhecida como Palma.



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