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O que está por trás da intervenção de Camilo Santana?

Mas convém perguntar por que Camilo resolveu cair em campo desde agora para tentar capturar o eleitorado lulista que se bandeou para Ciro na corrida local.

O cálculo do petismo prevê o seguinte: embora a propaganda de rádio e TV seja importante, neste ano o bloco camilista não detém vantagem de tempo, tampouco de recursos. Logo, Ciro e Elmano estarão equilibrados nessa seara, podendo esgrimir com paridade de armas.

No interior do Estado, ainda que o governismo se valha da vantagem da máquina — que não é pouca coisa —, Ciro é um nome consolidado, com capital próprio que o dispensa da necessidade de colar sua imagem à de outro nome, como Elmano precisa de Lula.

Daí que o ex-chefe do MEC esteja, neste momento, apelando ao eleitorado do presidente no Ceará: primeiro porque o mês de agosto já se finda e setembro está logo ali; segundo porque uma nova rodada de pesquisas mostrando Elmano a 15 ou 20 pontos de distância de Ciro seria desastrosa para o atual governador.

A leitura é de que é preciso investir contra Ciro em múltiplas frentes hoje.

Vai dar bom?

Se essa estratégia do petismo vai funcionar, no entanto, é outra história. Por ora, essas táticas vêm surtindo pouco ou nenhum efeito sobre o adversário do líder do Abolição.

Pelo contrário, Ciro tem abocanhado um ou outro apoio de petistas pelo Estado — Redenção é um exemplo. Ninguém graúdo, é verdade, mas é sintomático que, numa etapa inicial ainda do pleito, haja filiado do partido de Elmano e de Camilo declarando voto no tucano, a despeito da força e da pressão do condomínio governista no Estado.

Um balanço

A primeira semana de campanha se encerrou com Elmano e Ciro em ritmos diferentes: o petista mostrando mais força de mobilização nas ruas, com carreatas e atos na Capital e Região Metropolitana, e o tucano às voltas com agendas de entrevistas e encontros com o eleitorado em Fortaleza e no Interior, ainda que numericamente inferiores aos do oponente.

Até aí, nada de novo. Estranho seria se a máquina não galvanizasse mais gente mesmo — especialmente uma que abarca Executivo estadual e municipal, além dos legislativos —, seja pelo “convencimento”, seja pela necessidade.

Afinal, o governador administra uma base de prefeitos e vereadores muito ampla. Só os comissionados de Governo e Prefeitura, por exemplo, conseguem assegurar animação em muita esquina da Avenida Antônio Sales, o que também é do jogo.

Por Henrique Araújo, n’O Povo

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