Sobral ainda fora do mapa dos investimentos: gestão Novo Tempo não inspira confiança
Enquanto o Ceará se prepara para receber cerca de R$ 395 milhões em investimentos privados até 2026, com a geração de quase 3 mil empregos diretos, chama atenção a ausência de Sobral entre os municípios contemplados pela Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece).
Cidades como Aquiraz, Caucaia, Horizonte, Maracanaú e São Gonçalo do Amarante — polos industriais e econômicos do Estado — aparecem na lista de novos protocolos de intenções e resoluções de benefícios assinados com empresas de diversos setores, incluindo alimentos, calçados, granito, têxtil, energia e cosméticos. Sobral, no entanto, ficou de fora.
O fato é simbólico e preocupante. A atração de investimentos e geração de emprego e renda foi uma das principais bandeiras de campanha do prefeito Oscar Rodrigues, cuja imagem sempre esteve associada ao perfil de empresário visionário e gestor eficiente. Contudo, quase dois anos após o início da gestão Novo Tempo, nenhum protocolo de intenções foi firmado com o município — e o discurso de dinamismo econômico ainda não se traduziu em resultados concretos.
A ausência de Sobral nesse cenário mostra que o governo municipal não tem conseguido transmitir segurança, credibilidade e ambiente favorável ao investimento privado. O empresariado observa atentamente o comportamento político e administrativo das gestões locais antes de decidir onde aplicar seus recursos. E, infelizmente, o que se vê é um cenário de incerteza, ruídos internos e falta de clareza estratégica.
Se a cidade que já foi referência em educação e gestão pública quiser voltar a atrair grandes empreendimentos, será preciso mais do que marketing. É preciso planejamento, diálogo e confiança — três elementos que parecem, por enquanto, ausentes do projeto de poder que prometia um “novo tempo” para Sobral.
DETALHE – Embora o Governo do Estado desempenhe papel fundamental na análise e aprovação dos projetos de investimento por meio do Conselho de Desenvolvimento Econômico (Condec) e da Adece, a escolha do município onde a empresa irá se instalar parte da própria iniciativa privada. Cabe ao Estado apenas avaliar os critérios técnicos e de viabilidade — como o tipo de empreendimento, o volume de investimentos, a geração de empregos e a localização — oferecendo incentivos maiores a regiões mais afastadas da Capital. Assim, eventuais críticas relacionadas à ausência de novos empreendimentos em determinado município devem considerar também a capacidade local de atrair investidores e criar condições favoráveis à instalação das empresas.



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