Carolino Soares, o sobralense que popularizou o rádio FM no Ceará
O radialista de nome incomum – foi o único “Carolino” que conheci – nunca se conformou com o lugar-comum dos homens do Rádio. Queria ser mais, sentia que poderia ser. E o cara que de um lado sonhava, de outro dava sua contribuição focado em aprender.
Carolino Soares era de Sobral, começou lá, mas se mudou para a capital, um dia, atrás do tal do lugar ao sol. Em 1975 estreou na Rádio Iracema como repórter esportivo. A missão era cobrir o Fortaleza Esporte Clube em suas atividades diárias. Foi um desafio, pois a equipe do Superlativo Programa do Alan só tinha feras. O saudoso Alan Neto a frente. Carolino gostava de ser repórter de futebol, mas achava pouco. Dizia aos mais chegados que precisava buscar algo bem maior.
O novo foi o Rádio FM, que começou a dar seus primeiros passos na segunda metade da década de 70. Carolino viu no FM a chance que talvez fosse o caminho do futuro. Por essa mesma época descobriu-se como promotor de eventos populares com artistas do povão em casas e clubes de shows.
No final da década de oitenta, Carolino deu o grande salto da vida. Foi convidado para o cargo de diretor da Dragão do Mar FM. Com a experiência que tinha, decidiu ousar e “bregou” o FM. A 99 passou a tocar o que a FM O Povo e a FM 93 não tocavam. E deu espaço para os ouvintes falarem ao vivo.
Em seis meses, a 99 assumiu a ponta da audiência em Fortaleza, desbancando suas poderosas concorrentes. A Dragão FM fez a fama de Carolino e mudou o Rádio. Das gigantes, a 93 decidiu imita-la. Viria em seguida a Jangadeiro FM com um estilo que era cópia descarada do que Carolino pioneiramente implantou nas FM’s.
Depois da Dragão ele andou por Recife, e quando voltou ao Ceará aceitou sociedade com Franzé Loiola. E passaram a promover os eventos da Rádio 100 FM em clubes do tipo Pau de Arara. E se deram bem. A “100 FM” foi outra emissora que tocava uma programação “inspirada” naquela que um dia Carolino Soares botou pra tocar.
O tempo passou e o repórter esportivo do início deu lugar ao empresário artistico que virou dono de Rádio a Paraíso de Sobral. A partir daí produziu e promoveu grandes eventos musicais por lá e em toda a região norte, onde voltaria a trabalhar e residir.
E em Fortaleza ele se foi. Carolino Soares tinha 68 anos e sua saúde não andava boa, contam amigos próximos da Princesa do Norte. Não sei dizer se os professores de jornalismo e comunicação orientaram seus alunos a ouvir esse cara. Carolino Soares tinha muito o que contar sobre a popularização do FM.
Poderia ter contado como fez para contrariar o destino reservado à maioria dos profissionais do Rádio. Que sua história seja resgatada. O coração de Carolino está fora do ar…
Por Cláudio Teran, no Facebook



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