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Saída de Camilo do MEC acelera articulações e antecipa confronto com Ciro Gomes

A confirmação da saída de Camilo Santana do Ministério da Educação coincide com um movimento cada vez mais aberto de Ciro Gomes na condução das articulações políticas no Ceará. Na prática, o calendário indica que, já a partir de meados de março, antigos aliados estarão mergulhados na montagem das chapas que disputarão o Palácio da Abolição nas eleições de outubro.

Não se trata de um embate trivial. Mesmo que Camilo não venha a ser candidato ao Executivo estadual, o confronto sinaliza um novo momento da política cearense, justamente no ano em que se completam duas décadas da eleição de Cid Gomes ao Governo do Estado — marco inicial de um ciclo que redefiniu o poder no Ceará.

Caso o grupo liderado por Camilo saia vitorioso desse processo, o cenário aponta para a consolidação definitiva de sua liderança política, agora fora do raio de influência direta de Cid, embora mantendo o aliado histórico por perto, de forma cautelosa e estratégica.

Por outro lado, uma vitória de Ciro representaria o fechamento de um arco histórico e a volta dos Ferreira Gomes ao centro do poder estadual, espaço do qual estão afastados nos últimos anos. Ivo Gomes perdeu a disputa em Sobral em 2024, enquanto Cid atua hoje mais pelas margens do jogo político, sem protagonismo institucional direto.

Nesse sentido, 2026 também surge como um “tira-teima” de 2022, ano do racha entre PT e PDT — partido que abrigava os irmãos Ferreira Gomes e seu entorno. De lá para cá, o PDT passou por um processo de esvaziamento político e só agora começa a ensaiar uma retomada de fôlego, após movimentos de recomposição com o PT.

Em meio a esse redesenho do tabuleiro estadual, o embate que se aproxima não apenas decidirá o comando do Ceará, mas também sinalizará qual projeto político terá fôlego para liderar o Estado na próxima década.

(com informações d’O Povo)

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