Sobral perde um grande ídolo
Com profunda tristeza, mas também com imenso respeito e gratidão, o futebol sobralense se despede de Raimundo Silva Ferreira, o inesquecível Cabeção, um dos maiores ídolos da história do Cacique do Vale. Sua trajetória se confunde com a própria memória afetiva do futebol de Sobral, especialmente na década de 1960, quando encantou torcedores com sua velocidade, habilidade e decisividade atuando como ponta direita.
.
Cabeção iniciou sua caminhada no Guarani do Chico Três Coroas, passou pelo Náutico, mas foi no Guarany de Sobral que construiu seu maior legado, tornando-se símbolo, orgulho e referência. Presença constante na seleção sobralense, ele representava com honra as cores da cidade, carregando nos pés e no coração a paixão pelo futebol local.
.
Endiabrado em campo, tinha uma jogada que virou marca registrada: arrancava pela ponta direita, cortava em diagonal, deixava o zagueiro para trás na velocidade, observava o goleiro fechar o canto esquerdo e, com precisão e força, estufava as redes no canto direito. Um lance simples, repetido, mas quase impossível de ser parado. Foi também dele um feito histórico que jamais será esquecido: Cabeção foi o primeiro atleta a marcar um gol em jogo oficial no Estádio do Junco, eternizando seu nome para sempre naquele palco sagrado.
.
Teve oportunidades que muitos sonhavam. No Ceará Sporting Club, impressionou logo no primeiro treino, marcando três gols. Mas a vida falou mais alto: simples, humano, ligado à família, preferiu voltar para Sobral. O Santa Cruz de Recife também o quis, chegando a oferecer passagens aéreas, mas o medo de voar e suas escolhas pessoais o mantiveram em casa. Cabeção nunca buscou fama ou riqueza — buscou pertencimento, afeto e identidade.
.
Raimundo Silva Ferreira faleceu em 20 de janeiro de 2026, enfrentando dificuldades financeiras e problemas de saúde, uma realidade dura que reforça a dolorosa reflexão sobre a importância de valorizar nossos ídolos ainda em vida. Ainda assim, sua grandeza jamais será medida pelas circunstâncias do fim, mas pelo brilho eterno de sua história.
.
Hoje, Sobral não perde apenas um ex-jogador. Perde um símbolo, um herói popular, um capítulo vivo de sua cultura esportiva. Fica o orgulho, a saudade e a certeza de que Cabeção jamais será esquecido. Seu legado permanece vivo nos relatos, nas lembranças, nos campos e no coração de quem ama o futebol sobralense.
.
Obrigado, Cabeção.
A torcida do Cacique do Vale se curva diante da sua história.
.
Por Sebastião Albuquerque, cronista esportivo



Publicar comentário