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Fora do cenário nacional, Ciro volta o foco ao Ceará e busca alianças à direita

A ausência de Ciro Gomes nas pesquisas nacionais como pré-candidato à Presidência da República não é apenas um dado estatístico. Para observadores da cena política, o sinal é claro: Ciro tende a concentrar esforços no Ceará e a definir, de forma definitiva, seu futuro político no estado.

Nesse movimento, o pedetista articula uma reaproximação com partidos do campo da direita, numa estratégia que passa, necessariamente, por entendimentos em Brasília. O objetivo é montar uma frente competitiva contra o grupo que hoje comanda o Palácio da Abolição.

Um dos principais entraves está no tempo de rádio e televisão. Ciro precisa, com urgência, do capital eleitoral de siglas como União Brasil e Progressistas (PP). Já o PSDB, antigo aliado, dispõe hoje de segundos quase simbólicos, insuficientes para sustentar um projeto majoritário robusto.

Outra frente de articulação envolve o Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro. O problema é que o partido ainda não definiu com clareza qual será sua posição no Ceará, o que mantém a negociação em aberto e cercada de incertezas.

Enquanto costura alianças no plano nacional, Ciro prepara o terreno local. A estratégia inclui uma série de visitas ao Sertão, com o objetivo de atrair lideranças e ampliar o campo oposicionista ao atual governo estadual. A missão, no entanto, é tudo menos simples. O interior cearense hoje está fortemente alinhado à base governista, o que transforma a empreitada em um desafio grande — e politicamente arriscado.

Ciro sabe disso. E talvez por isso mesmo esteja apostando alto.

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