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Entre o poder e o desgaste, a escolha calculada de Cid Gomes

Existe um movimento forte de resistência à ideia de que Cid Gomes deixe de disputar mais um mandato de senador. Muitos defendem sua presença na chapa governista e gostariam de vê-lo novamente na corrida eleitoral. Ainda assim, suas próprias declarações revelam desprendimento. Ele afirma, de forma clara e reiterada, que não pretende buscar a reeleição.

Quem parece já ter assimilado essa decisão é o governador Elmano de Freitas, que sinalizou, mesmo que sutilmente, respeito a essa vontade. Ao dizer que Cid será seu coordenador político, indica que compreendeu o cenário. Afinal, quem está na disputa não assume a função de coordenar.

Sob o ponto de vista estratégico, pode parecer um erro abrir mão de uma vaga de grande peso, praticamente assegurada diante do capital político acumulado. No entanto, para quem compreende as nuances do jogo, é possível perceber que até mesmo o poder, quando prolongado em excesso, pode gerar desgaste e perda de vitalidade.

Cid carrega um símbolo político forte, que certamente o conduziria a mais um mandato. Ainda assim, sua passagem pelo Senado não é vista como o ponto mais marcante de sua trajetória. Seu perfil não é voltado à exposição constante, e a impressão transmitida ao eleitorado é de que a função não despertou nele o mesmo entusiasmo de outras fases. Houve percalços e desgastes naturais do processo. A permanência por mais oito anos, somando dezesseis no total, poderia levá-lo a um ostracismo involuntário, com poder concentrado, mas com menor capacidade de expansão e renovação.

A insistência em torno de seu nome também atende à necessidade de manter na chapa uma liderança de grande densidade política. Ao mesmo tempo, faz parte de um movimento tático, que ajuda a tensionar o campo adversário e a construir narrativas que, por vezes, atendem mais à estratégia do que à realidade.

Na lógica do xadrez político, sua escolha parece seguir outro caminho. Em vez de permanecer fixo na mesma posição, torna-se mais inteligente rotacionar espaços, fortalecer as bases e preservar sua capacidade de articulação, antes que a imobilidade esfrie seus movimentos.

Por: Micael Sousa, no Xadrez Político

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