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A hipótese que Cid usa como exemplo e que anima aliados

O senador Cid Gomes (PSB) tem repetido, a título de ilustração, uma explicação sobre o porquê de não votar no irmão Ciro Gomes (PSDB) para governador. “Eu até já arrumei uma formazinha rápida de explicar. Se o Ciro for candidato a governador, na chapa de oposição, ele vai ter lá dois companheiros do Senado. E se eu for candidato ao Senado, será que ele vai trair um dos dois para votar em mim? Claro que não, eu conheço o Ciro, o Ciro é incapaz de trair qualquer pessoa”.

No começo do mês, perguntado pelo correspondente do O POVO em Brasília, João Paulo Biage, Cid já havia usado a mesma figura. “Às vezes, vem alguém no ouvido e fala: ‘Rapaz, tu não vai votar no seu irmão?’ E eu tenho que explicar uma série que tem 10 temporadas e começou em 2021. Mas eu arrumei uma saída rápida. Quer ver: se o Ciro for candidato, ele não vai ter dois candidatos ao Senado? Por simulação, eu posso ser candidato ao Senado. É razoável que ele traia os dois e vote em mim? Não é razoável”.

Fica muito evidente a intenção de Cid em falar hipoteticamente. Ele não cita a possibilidade de ser candidato à reeleição. Usa a situação como conjectura, para colocar o irmão no dilema familiar enfrentado por ele próprio.

Porém, o senador raramente usa as palavras gratuitamente. Ele é explícito nas mensagens transmitidas, mas sabe
embutir recados ao falar. Sempre usou as entrelinhas. Nem mesmo chegou a fazer a ressalva, repetida tantas vezes
no passado, de que não pretende ser candidato. Não citou, como em diversas ocasiões, a defesa da candidatura de
Júnior Mano (PSB).

Quando, no intervalo de algumas semanas, Cid repete a mesma formulação em dois momentos, ele sabe como será
percebido. No mínimo, ele não é inocente e sabe que irá gerar interpretações a esse respeito.

Para exemplificar, ele se coloca numa situação de ser candidato a senador na chapa adversária ao irmão.

Qual o significado? Muita coisa.

Por Erico Firmo, n’O Povo

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