Governo vende crédito como alívio, mas juros seguem pesando no bolso de motoristas e taxistas
Anunciada pelo Governo Lula como uma medida de apoio a motoristas de aplicativo e taxistas, a nova linha de financiamento para compra de veículos chega cercada de discurso positivo, mas longe de representar, na prática, um crédito realmente barato.
A proposta permite a aquisição de carros com taxas abaixo das praticadas em parte do mercado, mas os números mostram que o peso continuará grande para quem vive de renda apertada e instável. Para homens, o financiamento pode chegar a R$ 100 mil, com juros anuais de 12,6%. Para mulheres, o valor sobe para R$ 140 mil, com taxa de 11,5% ao ano.
Na propaganda oficial, o programa aparece como oportunidade. Na vida real, no entanto, continua sendo uma dívida alta para trabalhadores que já enfrentam combustível caro, manutenção constante, desgaste do veículo e remuneração cada vez mais pressionada pelas plataformas.
Em outras palavras, o governo tenta apresentar como grande avanço algo que, no máximo, pode ser classificado como menos pesado. E há uma diferença enorme entre crédito acessível e crédito apenas um pouco menos caro. Juros de dois dígitos ao ano continuam sendo juros altos, ainda mais para quem depende do carro para sobreviver e não tem margem de sobra no orçamento.
Além disso, o valor dos veículos no Brasil segue elevado. Mesmo com condições “melhores”, o trabalhador continuará assumindo prestações longas e comprometendo parte importante da renda mensal. Para muitos, trocar de carro seguirá sendo necessidade; o problema é que essa necessidade continua sendo financiada a um custo que mal cabe no bolso.
A medida pode até ajudar uma parcela dos profissionais, mas está longe de resolver o problema central: o acesso a crédito realmente justo para categorias que sustentam, com o próprio veículo, a atividade econômica nas cidades.
No fim das contas, vale a frase que resume bem a situação: mais baixo não é baixo, é só menor.



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