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Protagonismo de Mandetta na crise do coronavírus incomoda Bolsonaro

Em pleno avanço do novo coronavírus, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, começou a ser esvaziado pelo Palácio do Planalto. A presença do presidente Jair Bolsonaro nos atos, de domingo (15/3), atropelou todo o discurso do ministro de enfrentamento à doença e desautorizou uma de suas principais medidas, de evitar aglomerações.

Ao mesmo tempo que contraria Mandetta, Bolsonaro tenta tirar dos bastidores o contra-almirante da reserva Antonio Barra Torres, um médico bolsonarista que foi colocado no comando da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

É para o contra-almirante que Bolsonaro telefona e se consulta sobre assuntos de saúde. Neste ano, ele já esteve cinco vezes no gabinete de Bolsonaro para encontros individuais; Mandetta foi apenas duas, conforme a agenda pública. O diálogo do oficial com o presidente flui por afinidades como mundo militar, motos e armas.

Mandetta chegou ao ministério apoiado pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, seus colegas no DEM. Ao mesmo tempo, mantém relação amistosa com outras figuras do seu partido como os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ), atualmente um dos maiores críticos de Bolsonaro, e do Senado, David Alcolumbre (AP).

O ministro da Saúde nunca integrou o grupo próximo de Bolsonaro nem comprou pautas ideológicas. No fim do ano passado, Mandetta chegou a confidenciar a antigos colegas da Câmara que trocaria o cargo no governo por uma candidatura a prefeito de Campo Grande (MS). No mesmo período, o chefe da Anvisa dizia a aliados que estava cotado a assumir a pasta da Saúde.

Fonte: Correio Brasiliense

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