Ministros do STF chamam de ‘presepada’ e ‘molecagem’ visita de Bolsonaro

A visita extemporânea de Jair Bolsonaro ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, provocou forte reação dos ministros da Corte. Ouvidos pelo jornalista Josias de Souza, do UOL, três magistrados utilizaram termos fortes e pejorativos para qualificar o gesto do presidente da República. Por exemplo: “Presepada”, “molecagem” e “pegadinha”.
“Se estivesse na presidência do Supremo, não sairia da minha casa para uma presepada dessas”, disse um dos ministros. Foi ecoado por um colega: “O que o presidente fez pode ser classificado como uma molecagem. Ele tenta transferir para o Supremo uma responsabilidade que é dele.”
Um terceiro magistrado avalia que “Toffoli foi vítima de uma pegadinha”. Ele esmiuçou o raciocínio: “O presidente da República pediu para ser recebido. Por civilidade, o Toffoli concordou. De repente, o presidente do Supremo viu-se no centro de uma transmissão ao vivo, ouvindo queixas sobre um problema que cabe ao Executivo gerenciar, não ao Judiciário. Isso não é sério.
Os três ministros concordaram num ponto: Bolsonaro agiu com o intuito deliberado de transferir para o Supremo a responsabilidade pelos efeitos econômicos da crise sanitária — exatamente como faz com governadores e prefeitos.
Concordaram noutro ponto: o Supremo não eximiu Bolsonaro de responsabilidades ao reconhecer no mês passado, em decisão unânime, que estados e municípios têm poderes para tomar providências como o isolamento social e o fechamento do comércio durante a pandemia.



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