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O último discurso de Pazuello .

Em um último discurso ao lado do novo ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga, o ex-chefe da pasta, general Eduardo Pazuello, insinuou que “lideranças políticas” pediram propina ao órgão no fim de 2020. Pazuello também mencionou conspirações internas para retirá-lo do cargo, além de pressão para oficializar medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus. As declarações do ex-ministro constam em um vídeo, gravado por assessores no momento em que o militar passava o cargo para Queiroga. O evento foi fechado para a imprensa.

No vídeo, Pazuello disse ter sido surpreendido com a renúncia de Nelson Teich, que ficou apenas 30 dias no cargo. Ao chegar ao ministério, relatou que foi procurado por “lideranças políticas que temos hoje”, com uma relação para ser atendida. “E não atendemos. Fui jurado de morte”, disse o ex-ministro, sorridente, para Marcelo Queiroga. “Chegou no fim do ano, uma carreata de gente pedindo dinheiro politicamente. Todos queriam um pixuleco no final do ano”, comentou o militar.

Sobre os medicamentos não comprovados, citados como “A”, “B” e “C”, Pazuello disse que a pressão partiu de um grupo interno. “Esse grupo tentou empurrar uma pseudo nota técnica que nos colocaria em extrema vulnerabilidade. Querendo dizer que aquele medicamento, ‘A’, ‘B’ ou ‘C’, a partir dali, estava com os critérios técnicos do ministério, e não tinham”, contou Pazuello. De acordo com o ex-ministro, a essa altura, já haveria um esquema para retirá-lo do cargo, o que os assessores confirmam.

O vídeo com as falas de Pazuello foi divulgado pelo Jornal da Record.

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