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A reação de Cid à candidatura de Ciro a presidência

Entre os governistas que comemoraram a possibilidade de candidatura de Ciro Gomes (PSDB) à Presidência, um foi mais explícito: Cid Gomes (PSB), irmão do tucano. Horas depois de Aécio Neves sugerir que tentaria encorajar o aliado a entrar na briga pela sucessão de Lula (PT), o senador cearense fez ligações a um e outro, repetindo: “Eu avisei”. O aviso, claro, dizia respeito a esse cenário no qual o ex-presidenciável deixaria o pleito estadual para trás, voltando-se então, como Cid previra, para a disputa nacional.

Mas não foi apenas o pessebista que festejou, mais ou menos discretamente, a hipotética saída de Ciro da paisagem cearense. No entorno do Abolição, houve quem batesse na mesa para cravar que sua intuição não falhava, e não seria diferente agora. Mais crença que análise, essa fé em que Ciro não irá postular o Executivo local é curiosa, por algumas razões. Primeiro porque revela o estado de ânimo (e certa tensão, claro) que se abate sobre figuras que estão na base do governador Elmano de Freitas (PT). Segundo porque, ao celebrar a desistência de Ciro de tentar chegar ao Governo, essa ala não se pergunta sobre o efeito que isso poderia ter no âmbito federal, para Lula e Flávio Bolsonaro (PL).

A impressão é de que o que importa é unicamente se livrar de um problema (leia-se, de Ciro) para pavimentar a reeleição de Elmano.

Por Henrique Araújo, n’O Povo

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