×

Leônidas Cristino fala sobre a precariedade das rodovias Federais no plenário da Câmara dos Deputados

Senhor Presidente,

O Brasil é um país de dimensão continental, que depende predominantemente do modal rodoviário. É pelas estradas que trafegam veículos com 61% da carga movimentada no país e 95% dos passageiros em deslocamento.

Acontece que esta infraestrutura se deprecia a cada ano e não tem recebido investimentos em manutenção. No ano passado o índice geral de deterioração das estradas era de 57%. Este ano a situação piorou: as rodovias brasileiras apresentam problemas de modo geral em 59% da sua extensão. O percentual abrange estradas federais e de concessão.

A constatação faz parte da 23ª edição da Pesquisa CNT de Rodovias, recentemente divulgada pela Confederação Nacional do Transporte e pelo SEST SENAT.

O diagnóstico é alarmante: a qualidade das rodovias brasileiras piorou este ano nos diversos aspectos de pavimento, sinalização e geometria.

Houve piora na condição do pavimento – 52,4% estão com problema. Este indicador era de 50,9% em 2018.

O investimento do governo Bolsonaro na construção e recuperação de rodovias é o menor já registrado entre janeiro a outubro do ano, desde 2014. Nos últimos 10 meses foram investidos R$ 5,4 bilhões no setor, abaixo do desempenho dos governos Temer e Dilma.

O quadro real desta situação que os números revelam não é mostrado nas postagens de Bolsonaro em redes sociais. Com frequência semanal o presidente publica fotos e vídeos de obras em estradas, replicadas por sua legião de seguidores, como se o pontual fosse o real. Esta prática causa aquele efeito fake news, no qual ele se tornou um especialista.

O estudo contabiliza os prejuízos econômicos e à vida humana decorrentes de estradas em más condições de tráfego. Os prejuízos com acidentes somaram R$ 9,73 bilhões em 2018. Ocorreram em 2018, nas rodovias federais, 69.206 acidentes – a perda de 5.269 vidas e 76.525 pessoas feridas.

O cálculo de desperdício de óleo diesel em 2019 é estimado em 931,80 bilhões de litros, um custo adicional de R$ 3,3 bilhões para os transportadores.

O estudo adverte que toda a sociedade paga o preço da ineficiência da infraestrutura de transporte.

Dos números se deduz a operosidade do atual governo, que se coloca de modo pequeno, ante os desafios do país. É patente a falta de um plano para enfrentar o problema.

A realidade mostrada nesta pesquisa é um clamor por solução para as estradas brasileiras. É preciso lembrar que a retomada do investimento em infraestrutura abre caminho para acelerar o desenvolvimento nacional.

Leônidas Cristino

Deputado Federal – PDT/CE

Publicar comentário