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Juíza reativa diretório do PDT Ceará, veta comissão provisória e viabiliza eleição convocada por Cid Gomes


A juíza Maria de Fátima Bezerra Facundo, da 28º Vara Cível de Fortaleza, anulou, nesta terça-feira (10), decisão da Executiva nacional do PDT de inativar o diretório estadual do partido e, no lugar, formar uma comissão provisória no Ceará. A liminar atende ação ajuizada, na última sexta-feira (6), pelo senador Cid Gomes (PDT) e dezessete deputados estaduais e federais do PDT no Ceará.

Com isso, ficam reestabelecidos os mandatos dos 84 integrantes do PDT Ceará até o final de dezembro — destes, 49 assinaram documento de convocação de nova eleição para a presidência com objetivo de destituir o então presidente do diretório estadual, André Figueiredo (PDT). A nova votação está marcada para o próximo dia 16 de outubro.

Também no comando da Executiva nacional, Figueiredo encerrou, na última quinta-feira (5), o período de vigência do diretório estadual, anulando a convocatória da nova eleição e constituindo uma comissão provisória, presidida por Cristhina Brasil, aliada de Figueiredo.

Na decisão, a juíza Maria de Fátima Bezerra Facundo estabelece que o PDT “se abstenha” de constituir a comissão provisória, suspendendo a indicação que já havia sido feita na última sexta-feira. “Desse modo, torna-se certo que a dissolução abrupta do Diretório Estadual, que até então, era composto pelos Autores, configura medida que tem ares de sanção, tornando obrigatório que o partido permita o devido processo legal e a ampla defesa dos envolvidos, princípios estes constitucionais e inafastáveis”, continua.

A liminar concedida pela magistrada é mais um capítulo na queda de braço travada entre o presidente nacional do PDT, deputado André Figueiredo — que com a decisão volta a ocupar também a presidência do PDT Ceará — e do senador Cid Gomes pelo comando do partido no Ceará.

Em uma duradoura crise interna, desde as eleições de 2022, o PDT está dividido em duas alas. Aqueles mais próximos de Cid Gomes defendem a adesão do partido ao Governo Elmano de Freitas (PDT) e conta com a ampla maioria de parlamentares estaduais e federais do partido no Ceará.

Do lado de Figueiredo, que conta com apoio do ex-prefeito Roberto Cláudio (PDT) e do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), a defesa é de que o partido — que teve o próprio Roberto Cláudio como candidato ao Palácio da Abolição — fique na oposição à gestão estadual.

Novo capítulo da crise interna do PDT

Uma breve trégua havia sido estabelecida entre as duas alas após Cid Gomes, então vice-presidente estadual da sigla, assumir o comando após licença de André Figueiredo no início de julho.

Contudo, as divergências entre os dois grupos voltaram a se acentuar após o diretório estadual, sob comando de Cid Gomes, conceder, em agosto, carta de anuência para que o presidente da Assembleia Legislativa, Evandro Leitão, saia do PDT. A decisão foi contestada pela Executiva nacional e está agora sob análise tanto da Justiça Eleitoral como da Justiça comum.

Na última reunião do diretório estadual ainda sob comando de Cid Gomes, no final de setembro, bate-boca entre os grupos divergentes acabou acarretando na saída de Figueiredo e aliados no meio da reunião — onde a adesão oficial do PDT ao Governo Elmano chegou a ser colocada em pauta, mas acabou retirada da discussão. Como consequência, no dia 2 de outubro, André Figueiredo destituiu Cid da presidência do PDT Ceará, reassumindo o cargo.

Em resposta, apenas algumas horas depois do anúncio, o senador reuniu integrantes do diretório e afirmou que iria coletar assinaturas para convocar uma nova eleição para a Executiva do PDT Ceará — convocação que foi concretizada na última sexta-feira, mas acabou perdendo efeito após o encerramento da vigência do diretório estadual.

Fonte: Diário do Nordeste

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